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O que é percepção social de segurança?

Antes de falarmos sobre percepção social de fato, imagine que você está caminhando pela rua quando alguém passa correndo e lhe arranca o celular das mãos. Ou que você chega em casa depois de um passeio e descobre que teve a carteira furtada. Em ambas as situações, qualquer um seria pego de surpresa. Mas o que fazer em seguida? Como é que você agiria?

Para muitas pessoas, a reação natural seria procurar a polícia para registrar a ocorrência. Há uma parte da população, porém, que prefere não envolver a polícia, seja por achar que ela será ineficaz em atender a demanda, seja por não considerar o caso grave o bastante. Quantas vezes você não ouviu alguém vítima de um crime dizendo “ah, mas não foi nada de mais” ou “agora já passou, não tem o que fazer”?

Essa predisposição em chamar ou não a polícia é um dos fatores que medem a percepção social de segurança entre as pessoas. A percepção social nada mais é do que o conjunto de nossas impressões sobre algo ou sobre alguém, e as ideias que são formadas a partir disso. No caso específico da Segurança Pública, a percepção social mede como os cidadãos percebem o serviço prestado pelos profissionais das polícias e das Guardas Municipais.

A importância da percepção social

Essa percepção do público a respeito do desempenho do trabalho policial ou da Guarda deve ser objeto de atenção tanto de gestores quanto de profissionais da Segurança Pública. Isso é central para explicar a confiança nas forças policiais e auxiliar o trabalho prestado pelas polícias a partir do reconhecimento da sua legitimidade e reputação junto à cidadania.

Por exemplo: cidadãos insatisfeitos com o desempenho da polícia têm menos probabilidade de contatá-la ou de fornecer informações a respeito de atividades criminosas. Uma força policial percebida negativamente pela sociedade tem sua eficiência reduzida, o que pode inclusive colaborar para o aumento das taxas de criminalidade.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) compilou, no Sistema de Indicadores da Percepção Social (Sips) de 2012, uma série de dados que ajudam a entender a relação dos brasileiros com a questão da Segurança Pública.

Percepções específicas x percepções difusas

No estudo, o Ipea mapeou dois tipos de percepções a respeito da polícia: as percepções específicas e as percepções difusas. A primeira cobre a avaliação dos serviços prestados: os cidadãos avaliaram o atendimento que receberam da polícia quando vítimas de crime. Ou seja, emitiram impressões diretas (de ‘primeira mão’) sobre o comportamento dos membros da corporação policial. 

Por sua vez, o segundo tipo de percepção contempla variáveis individuais. Assim, em resposta às perguntas, os cidadãos entrevistados emitiram opiniões baseadas em informações mais gerais, como aquelas obtidas pelo noticiário, ou consolidadas a partir de experiências indiretas. 

É importante notar que, muito frequentemente, as impressões gerais negativas podem ser modificadas a partir de uma boa experiência com o serviço policial. O mesmo, é claro, vale para o caso oposto.  

Em linhas gerais, o que estudos como o realizado pelo Ipea concluem é que a confiança nas instituições policiais não depende de fatores “imponderáveis”, como as percepções difusas. A confiança na polícia está diretamente ligada à avaliação do trabalho realizado por profissionais e gestores de Segurança Pública.

Para uma percepção social positiva da Segurança Pública, a população deve enxergar corporações policiais eficientes e adequadas às funções para as quais foram idealizadas. 

Percepção de segurança na prática

Entenda algumas das questões que influem na percepção de segurança:

A sensação de insegurança

O medo é um sentimento altamente subjetivo. Mesmo assim, é um fator que afeta e muito a qualidade de vida de uma população. 

Pessoas que se sentem ameaçadas pela possibilidade de eventos violentos tendem a ter menos confiança na polícia. É razoável que pensemos nisso como um círculo vicioso que deve ser quebrado: as altas taxas de criminalidade tanto alimentam quanto são alimentadas por uma relação de desconfiança da polícia.

Neste artigo, falamos mais sobre o papel da polícia e sua missão de oferecer a sensação de segurança aos cidadãos e cidadãs por meio dos efetivos da Polícia Militar e da Guarda Municipal.

A confiança nas instituições policiais

Eis uma variável fundamental para a percepção social da segurança: a confiança. A atuação da polícia prevê uso da força física e a privação de liberdade, entre outros. Tendo a possibilidade de atuar de forma tão determinante em relação à vida dos habitantes de um local, a força policial deve atuar dentro da legalidade, ancorada na confiança da população.

A confiança, assim, é o elo entre os cidadãos e a polícia – não só com ela, mas com todas as instituições que devem representar o interesse público. A confiança da população intensifica tanto a legitimidade quanto a efetividade dos governos democráticos. Esse é um dos motivos para investir na formação de agentes de segurança éticos.

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ARTIGO: Por uma polícia democrática, cidadã e antirracista

Predisposição a chamar a polícia

O trabalho da polícia só é efetivamente reconhecido como serviço prestado à população quando sua presença é solicitada pelos cidadãos. As polícias ostensivas, como a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal, e as judiciárias, como a Polícia Civil e a Polícia Federal, atendem a uma série de demandas. Mas é na interação com o público, principalmente, que essas instituições formam sua imagem.

Cidadãos insatisfeitos com a polícia têm menor tendência a acioná-la em caso de necessidade, como falamos no início deste artigo – e isso é algo que contribui decisivamente para reduzir a eficiência de sua atuação. Explica-se: sem que ninguém a acione quando um crime acontece, a polícia deixa de fazer seu trabalho. 

Sem poder quantificar as atividades criminosas, a polícia não sabe onde deve concentrar suas ações, nem quais crimes investigar. É por isso que uma relação de desconfiança com a polícia pode culminar com índices criminais aumentados. 

É trabalho dos gestores em Segurança Pública a análise desses dados para a implementação de políticas que garantam uma relação de confiança da sociedade para com a polícia. Esse também é um fator que reforça a importância da formação e do aperfeiçoamento continuado em todas as carreiras da Segurança Pública.

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Ficou curioso? Leia a íntegra do estudo do Ipea aqui

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